Dia do Vinil entrevista: Os Incríveis

Confira na íntegra a entrevista que “Os Incríveis” deram ao Dia do Vinil. O vocalista Paco representou o conjunto nesta conversa exclusiva publicada na segunda edição do jornal Long Play. (Pedimos desculpa pela demora).

Fotos: Filêmon Santos

Long Play – É a primeira vez que vocês vêm a Rondônia?

Paco – Nós fomos em Porto Velho há muito tempo atrás, mas não me pergunte o ano (risos).

LP – E como é, para vocês, uma banda que toca em grandes capitais, vir para Rondônia, especificamente para Vilhena?

Paco – Não temos essa frescura que muitas bandas e cantores têm. Eles falam: “Rondônia? Ah, é muito longe, não vou”, “Rondônia é o fim do mundo”. Mas, estamos acertando nossa vinda para cá desde o ano passado e aqui queremos plantar uma semente para mais shows aqui e na região ainda este ano ou em 2012. É um público que nunca nos viu, então temos essa oportunidade de aumentar nossos fãs. Os artistas não gostam de vir pra cá porque é “muitas horas de avião”. Não pensamos assim, estamos aqui para trabalhar, conhecer lugares e novos públicos. Isso é excelente para nós.

LP – Como foi o retorno da banda?

Paco – Há cinco anos que estamos de volta, embora eu e o Manito tenhamos viajado muito após a separação da banda, em meados da década de 70. Entrei no conjunto em 1970, embora tenhamos nos separado depois, agora estamos juntos outra vez. Resolvi reunir o grupo novamente por causa dos pedidos de fãs e agora rodamos o Brasil inteiro.

Além da entrevista, "Os Incríveis" autografaram um disco do Dia do Vinil. Acima, Nenê deixa sua marca com a caneta.

LP – Onde estavam os integrantes durante o período de separação?

Paco – O Nenê e o Netinho estavam no The Originals, que acabou terminando, infelizmente. O Nenê tocou com Elis Regina também. O Netinho agora não toca mais profissionalmente. O nosso baterista agora é o Franklin, que tocou com a Rita Lee, e tem uma grande bagagem musical.

LPComo foi retomar o ritmo de turnês e viagens pelo país inteiro agora que já se passaram 40 anos?

Paco – Ah, já estávamos acostumados, né? Isso faz parte da vida das bandas e dos músicos. Mas hoje fazemos quatro shows por mês para 700 pessoas, e não 15 apresentações para milhares de pessoas como antes, na época de ouro.

LP – Não dá vontade de voltar aos tempos dos grandes shows?

Paco – Pois é, hoje nossas apresentações são diferentes. Fazemos uma música para o público dançar agarradinho e lembrar dos tempos românticos dos anos 60 e 70. Isso porque, nosso grande público, que era jovem nos anos 60 e 70, hoje não tem mais pique para grandes shows em estádios, como os de artistas sertanejos da atualidade, de 20 mil pessoas. A juventude fica dois dias na balada e tá em pé. Ainda assim, temos alguns shows especiais como na data de aniversário de algum município. Nessas ocasiões tocamos em praça pública e reunimos milhares de pessoas. Porém, a grande maioria das apresentações são um show-baile para que nossos fãs dancem e participem das exibições com mais proximidade de nós.

Manito assina seu nome na companhia de fãs

LP – Como é a resposta dos fãs durante e depois do show?

PacoÉ ótima, eles participam e vibram muito. Casais que tem mais de 40 anos e que dançam agarradinho ao som de “O Milionário” agradecem muito a gente. Inclusive, muitos “pombinhos” se conheceram por meio dessa música, que abria e fechava todos os bailes de 1960 e 1970. Então quando começava “O Milionário” todo mundo sabia que era a última chance de conseguir algo no baile. Até hoje casais vêm agradecer a gente pela música, que os fez encontrar o amor de suas vidas. Isso é muito gratificante.

LP –E os jovens? Dá pra conquistar o público mais novo com músicas de 50 anos atrás?

Paco – Com certeza. O que aconteceu é que os pais escutavam os discos de vinil dos Incríveis e os filhos foram absorvendo isso e hoje temos muitas crianças que gostam do nosso som, digo crianças os que têm 20 – 25 anos (risos). “Era Um Garoto Que Como Eu Amava os Beatles e os Rolling Stones”, principalmente, foi cantada muito pela juventude, e ainda é.

Paco posa para foto no camarim

LP – Há intenção de gravar algo novo?

Paco – O custo para se produzir algo hoje é imenso e as gravadoras só estão lançando coisas novas, coisas jovens, do grande público da juventude. Temos gastos com direitos autorais, produção, clipes, edição, equipamento de som. No entanto, estou negociando com alguns patrocinadores, de repente sai alguma coisa, é capaz.

LP – Cantar em inglês era regra para fazer sucesso antigamente, tanto aqui como no exterior. Hoje essa premissa ainda vale?

Paco – Acho que sim, mas para só se for focar no mercado externo, que hoje não é mais só Estados Unidos, todo o resto do mundo fala, e ouve, inglês. E hoje também não é só o inglês que dá resultados. Vários cantores brasileiros se consagraram muito bem em espanhol, deixando fãs por muitos países. O primeiro a gravar em inglês foi o Roberto Carlos, com o qual já tive a oportunidade de tocar, e o Manito tocou por muito tempo também.

VEJA TODA AS FOTOS DO SHOW DOS OS INCRÍVEIS CLICANDO AQUI!

O Dia do Vinil agradece imensamente à organização do show, especialmente ao sempre prestativo Walter Pereira, e, é claro, à simpatia de todos os integrantes do grupo “Os Incríveis”, que gostou tanto da cidade que prometeu voltar em dezembro e passar o Reveillion aqui!

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