Dia do Vinil Entrevista: Orquestra Filarmônica Municipal de Vilhena

No último final de semana a Orquestra Filarmônica Municipal de Vilhena fez duas apresentações públicas em homenagem ao Dia das Mães. Seus 45 músicos deram um show de música clássica e levaram cultura para mais de 4.000 pessoas, segundo a organização. As duas exibições, uma no sábado e outra no domingo, foram regidas pelos maestros Ronis Salustiano e Wagner Gutilla, e contaram com participações especiais do maestro boliviano Roland Schlieder.

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No sábado 7, por volta das 20h, a orquestra se apresentou, a convite da Prefeitura Municipal de Vilhena, na Praça dos Mensageiros, em homenagem ao Dia das Mães. Segundo a organização, aproximadamente 4.000 pessoas estiveram presentes no evento, que contou com apresentações de dança de programas sociais da prefeitura. Melodias de Bach e Chopin antecederam a música “Maria, Maria”, de Milton Nascimento, dedicada às mamães vilhenenses. A cantora Juliane Barroso, que se apresentou no 2º Dia do Vinil, encantou o público interpretando a canção. Após a exibição houve sorteios de brindes e de uma moto.

No sábado mais de 3.000 pessoas assistiram à orquestra

No dia seguinte, domingo 8, a convite da rádio Onda Sul, a orquestra se reuniu na praça Nossa Senhora Aparecida, às 16h, para o tocar o mesmo concerto, embora um pouco mais compactado. A proximidade do público, de cerca de 300 pessoas, e o silêncio da tarde de céu azul garantiram uma experiência acústica excelente. Juliane soltou a voz novamente em “Maria, Maria”. Aplaudidos, os músicos agradeceram o público.  

Maestros – Vindo de Santa Cruz, Bolívia, o maestro Roland Schlieder, regeu algumas músicas durante os dois dias de apresentações. “A orquestra de Vilhena tem uma energia muito boa. Isso é essencial para a boa música”. Ele comanda a Orquestra Sinfônica infantil de Santa Cruz com a habilidade de seus sete anos de maestro. Já participou de turnês pela América Latina, Alemanha e Estados Unidos. É também professor de teoria musical pela Universidade Evangélica da Bolívia (UEB).

“Gostei muito daqui. Percebi algumas limitações, como falta de instrumentos bons, mas agora vamos trabalhar juntos e vou ajudar eles a adquirirem novos instrumentos”, garante Roland.

Para o maestro Ronis Salustiano a orquestra estava ótima nos dois dias. “No sábado foi a maior apresentação da história da orquestra. E essa parceria com o Roland será fundamental. Faremos intercâmbio com músicos bolivianos e poderemos aprender e ensinar bastante”, afirmou.

Ronis comandando a orquestra durante o tema de "Pantera Cor de Rosa"

Segundo Wagner Gutilla, maestro mais antigo da orquestra, a música clássica não anima muito a população local. “Boa parte da população da cidade ainda não aprecia a música orquestrada, mas, para mim, se 50 daqueles 3.000 de sábado passarem a gostar da orquestra, já ficarei feliz”, admite. Eles ensaiaram por quatro meses as músicas tocadas.

“Neste ano vamos trabalhar bastante, tanto para animar os componentes da orquestra quanto para mostrar ao público a música instrumental produzida no município”, explica. Wagner relembra que esteve presente na primeira apresentação da orquestra de Vilhena, no ginásio municipal de esportes Jorge Teixeira de Oliveira, há 10 anos. Ele também explica que há a intenção de, todos os meses, a orquestra enviar quatro ou cinco músicos para Santa Cruz fazerem intercâmbio com o maestro Roland.

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Entrevista – O músico Rafael Pontes, também filho de Ronis, é um dos mais experientes da orquestra e concedeu uma entrevista exclusiva ao Dia do Vinil. Conheça um pouco mais da orquestra municipal, saiba quais os planos do conjunto e como você pode entrar em contato com ela. 

Dia do Vinil – Há quanto tempo existe a orquestra de Vilhena?

Rafael Pontes – A orquestra existe há cerca de nove anos, embora as aulas para os músicos já estejam acontecendo há 10 anos. Temos 45 músicos e cada dia mais alunos se matriculando nas aulas oferecidas pela Villa Lobos. Nesse tempo conseguimos apresentar mais de 150 arranjos, inclusive temas de filmes. (A Villa Lobos é a escola de música mais tradicional do município e revela os talentos musicais locais encaixando-os na orquestra da cidade).

DDV – Qual é a rotina da orquestra?

RP – Por uma questão de local, ensaiamos apenas nos sábados, mas com a futura construção de um Centro Cultural os ensaios poderiam ser feitos até três vezes por semana com duração de duas a três horas. Iniciamos neste ano também o projeto “Ensaio na Praça”, através do qual vamos levar a música clássica a todos ensaiando nas praças da cidade pelo menos uma vez a cada dois meses.

A partitura do violoncelo estava iluminada pelo sol que se punha no domingo

DDV – Percebi que algumas músicas são adaptadas, quem faz as adaptações?

RP – Essas adaptações são feitas pelo próprio maestro e por mim. Não queremos tirar a essência da música, mas às vezes diminuímos o tamanho da música para ser tocada em eventos mais populares; peças maiores e mais completas deixamos pra concertos e apresentações com um público alvo específico.

DDV – Qual a relação da Prefeitura com a orquestra? 

RP – A Orquestra é sustentada pela prefeitura, mas é livre pra receber apoio de qualquer empresa. Hoje os músicos não são assalariados, mas há projetos para que isso aconteça, onde o incentivo seria bem maior. Recebemos um convênio da prefeitura do qual parte repassamos para os músicos e parte mantemos a Associação da Orquestra.

DDV – De quem são os instrumetnos?

RP – Alguns instrumentos são da prefeitura, parte deles usamos para dar aula e outra parte está na orquestra, mas a grande maioria dos músicos tem seus próprios instrumentos. Temos também um lote de instrumentos para receber contendo instrumentos bem diferentes, como fagóte, oboé, trombone baixo, tímpanos; instrumentos que proporcionarão uma nova cara para a orquestra.

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DDV – Como era a expectativa de vocês com relação as apresentações do fim de semana?

RP – Estávamos bem ansiosos com essas apresentações. Com a vinda do maestro Roland, o entusiasmo era visível. Eu diria que foi o que esperávamos. Sempre dá pra melhorar; evoluir sempre. Uma das coisas que aconteceu no primeiro dia principalmente foi que o som não ajudou muito.

Juliane solta a voz e Rafael capricha no baixo: a dupla se apresentou no 2º Dia do Vinil

DDV – Como você vê a importância do papel cultural e social da orquestra na comunidade local?

RP – Um estilo de música diferente do popular, isso é um diferencial que chama a atenção, toda a arte tem seu papel importante, tanto de manter uma tradição, quanto de mostrar uma coisa “nova” para um público diferente. Ouvir música boa não faz mal aos ouvidos e a cada dia mais pessoas conhecem e admiram a orquestra.

DDV – Quais foram algumas conquistas da orquestra durante esses 10 anos?

RP – Já abrimos um concerto do pianista Arthur Moreira Lima, fizemos um concerto em Rolim de Moura (RO), também participamos no concerto do coral Italiano. Nos apresentamos em Foz do Iguaçu, São Paulo. Conseguimos organizar várias oficinas de música com músicos da orquestra de Manaus (AM) e estamos promovendo mais uma para meio do ano, onde virão vários músicos do Brasil para esse curso.

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DDV – Esse ano estão planejadas algumas apresentações. Há a intenção de intensificar as exibições da orquestra? Como são os planos para o futuro próximo?

RP – Com a construção de um Centro Cultural com auditório, pretendemos fazer vários concertos durante o ano, isso incluindo apresentações com quartetos de cordas e metais e até mesmos outros estilos musicais pouco conhecidos e, consequentemente, pouco apreciados. Mas para este anos planejamos concertos no meio do ano e apresentações nas praças da cidade

DDV – E os planos de longo prazo?

RP – Queremos fazer intercâmbio com nossos músicos e até mesmo apresentações no exterior. 

Os violinistas estavam concentrados durante a apresentação

DDV – Uma pergunta pessoal: para você, qual é a sensação de tocar em uma orquestra e reproduzir melodias compostas por grandes mestres da música mundial?

RP – A música é um mundo paralelo onde todos falamos a mesma língua. Indescritível a sensação de poder tocar algo que atravessou gerações. A música é a expressão da alma, já dizia Mozart: “Nem sê o que escrevo, pois meu pensamento está posto em minha ópera, e corro perigo de te escrever toda um Aria em vez de palavras”.

DDV – Como entrar em contato com a orquestra?

RP – Basta acessar o site www.orquestramunicipalvha.webnode.com.br ou enviar um e-mail para orquestramunicipalvha@hotmail.com. Estamos localizados na Avenida Gonçalves Dias, nº 140, Centro. Telefones: (69) 3321-1837 e (69) 9965-2356.

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